6 de maio de 2009

"Os Filmes" #1

Os Filmes - E eu.

4:00 da manhã, apercebo-me a andar às voltas no meu quarto, devo estar nisto há um bom quarto de hora.
Tenho sono, tenho aulas amanhã, mas como dormir se o meu estado de arrebatamento não me permite parar quieto, quanto mais deitar. Motivo: acabei de ver um filme, no caso "The Wrestler".
Nesta inquietude paro de frente para o poster do "Rocky" e relembro-me das vezes que a cassete do filme passou no meu video VHS, e do meu igual êxtase e admiração pela aquela história, por aquele personagem.



4:00 da manhã, chego a casa. Abro os portões, ponho o carro, desligo-o, fecho os portões. Faço tudo isto em 'piloto-automático', enlevado, quase alienado das minhas próprias acções.
Encontro-me absorto, aquele estado de espirito que nos assoma algum tempo após momentos de comoção. Ando nisto há meia-hora, desde que saí do cinema.
Poucas palavras terei trocado depois de me sentar para ver "Gran Torino". Desta vez, não são as memórias, a saudade ou a melancolia que me consomem. Será mais a surpresa, o espanto e o pasmo, todos de cariz emotivo, que me bloqueiam o sistema.



Concordo com quem disse: "Quem não tem capacidade para ser surpreendido, está morto." Pelo menos para as artes estará decerto morto. Agradeço por isso, esta minha abertura ao espanto.

É por isso que gosto de cinema. É por este arrabatar, sobretudo emocional, mas também contemplativo, é por estas exaltações interiores que esta arte, mais que qualquer das outras, me provoca. É certo que são relativamente raras as obras com essa capacidade, e por isso mesmo, a alegria é maior quando encontramos películas de tal magnitude, não apenas nos arquivos cinematográficos mas também em objectos contemporâneos, como são as duas obras que trouxe para exemplo.

Longa vida ao cinema.

24 de abril de 2009

"Gaivota"



Está tão brutal!

22 de abril de 2009

Aulas para pessoas insensíveis, mas com alguma dose de sensibilidade xd

Este post não é para pessoas sensíveis, estou a avisar! Vai tratar-se de uma breve descrição das minhas aulas práticas de anatomia patológica e da crescente frustação que as mesmas me fazem sentir relativamente ao meu sentido (sobretudo) táctil.

Só para dar um ideia básica, são três horas por semana, de pé, sem intervalo, que por vezes se prolongam quando o tempo é insuficiente. A descrição odorífera e visual fica para os colegas presentes que tal como eu não se impressionam com qualquer coisinha (xd) e não quero correr o risco de despertar nalgum leitor que por aqui se perca, algum sentimento de repulsa. Posso apenas dizer que não é bonito de se ver, pelo menos à primeira vista. A nível médico e científico é incrível. Contudo, mais que a o "espectáculo" visual, o cheiro a podre, os pêlos que nos atrofiam o nariz, o sangue nas mãos, nas batas, facalhões, bisturis e afins, (ok ,eu disse ía evitar sentimentos de repulsa) o que mais me incomoda é mesmo a minha falta de sensibilidade. Temos portanto um baço na mão, um fígado, um pulmão, uma massa tumoral, qualquer coisa... que devem ser acompanhadas de respectiva e pormenorizada descrição: friável, consistente, firme, range ao corte, sólido, quístico, exuberante, discreto, moderado, aspecto atoucinhado, branco amarelado, amarelo esbranquiçado, cor de ferrugem, vermelho muito escuro, negro, brilhante, translúcido, opaco, liso, rugoso... oh god! A minha capacidade táctil e visual não tem estes modos todos... além de uma dose de sensibilidade superior também seria útil um dicionário de sinónimos para a aula e respectivos relatórios... já estive mais longe de arranjar um.

E pronto, são as peripécias de quem frequenta o melhor curso de sempre. :D

18 de abril de 2009

"Luz e Escuridão" de Stephanie Mayer

Finalmente algo que voltou a viciar-me após a emocionada(ante) despedida de Harry Potter. A saga "Luz e Escuridão", de Stephenie Mayer, a escritora do momento. Desengane-se quem julga tratar-se do mesmo cliché de sempre: vampiros, mordidelas, sangue e lutas. S. Mayer soube pegar num tema mais que batido na ficção e convertê-lo numa história repleta de originalidade e emoção, que tende a agarrar-nos do ínico ao fim. Trata-se de uma escrita simples e fácil, agradável e sedutora de tão doce. Não se trata de uma história de amor comum, básica e já vista. A base da saga é de facto um tema, julgámos nós mais que saturado, mas Mayer conseguiu reinventá-lo de maneira eficaz. Funciona e vende muito, é um facto. Mas o comercial não é necessariamente mau, como muita gente gosta de pensar.
"Luz e Escuridão", a saga iniciada por "Crepúsculo", que se continua com "Lua Nova", "Eclipse" e agora "Amanhecer", encerra duas personagens principais incrível e surpreendemente ricas. Edward Cullen, o assombroso e perfeito vampiro... um dos personagens mais aliciantes dos últimos tempos... deslumbrante no verdadeiro sentido da palavra. Capaz de lutar contra os seus instintos mais básicos, mais sufucantes e turturantes pelo amor de uma Bella, que se olha de modo completamente desfigurado, que não se vê, nem é vista talvez porque a sua riqueza interior não é visível aos olhos de todos, dos "tolos", alguém me disse... os tais que veêm superficíes. A sedução e o enebriamento mútuo das personagens envolvem-nos num clima tenso, que vai muito além das típicas peripécias vampirescas; onde nos vemos arremessados para um mundo de relações complexas, neste caso, não apenas humanas, onde as diferenças se tornam de facto obstáculos, mas não impedimentos. As relações entre pais e filhos que se veêm como desconhecidos, relações maternais à distância, o poder da amizade, do amor romântico e familiar, são ingredientes de uma história no sentido literal irreal... mas que nos faz acordar os sonhos e pensar que podemos ser muito mais que isto, meros humanos conformados e cegos perante as magias da vida.












Eu vou passar agora para o "Eclipse" e não quero parar. Estou oficialmente viciada!

26 de março de 2009

MGMT


E a banda revelação de 2008, descubro-a em 2009.
São os MGMT, sigla para Management, a primeira designação do grupo.

São, com os Vampire Weekend, as primeiras grandes evoluções do indie-rock. O que os músicos da city "misturaram" com uma sonoridade étnica, dos cornos de África, este duo de Brooklyn "electrificou".
Experimentam um ambiente misto, de um lado o easy-listening, o pop, do outro uma vertente mais psicadélica, quase dance.
De tudo isto, resulta um som contagiante e passível de ser ouvido em qualquer ocasião.

O seu álbum mais recente, "Oracular Spectacular", começa logo com a sua estrela maior: #1 - Time to pretend, e continua a brilhar com #3 - The Youth e #5 - Kids.


Time To Pretend - MGMT

17 de março de 2009

In the Year of 1967 #4

Era, para Paul Newman, o seu filme preferido.

Newman interpreta Luke, um homem misterioso que deambula pela vida, com um sorriso aberto na cara.
Encarcerado por um delito menor, socializa com os demais, inspirando-os.

Luke é a procura de significado.
Luke é a negação da derrota.
Luke é a recusa da resignação.

Um dos grandes personagens da história do cinema, num filme terrivelmente actual.
Ensaio sobre a dignidade e condição humana.
Num local onde esses conceitos se aprendem sem serem ensinados.
Assim é Cool Hand Luke.

10 de fevereiro de 2009

In the Year of 1967 #3

"And here's to you, Mrs. Robinson..."

The Graduate
De: Mike Nichols
Com: Dustin Hoffman, Anne Bancroft e Katharine Ross


29 de janeiro de 2009

In the Year of 1967 #2


"Nights in White Satin"
- Moody Blues


In the Year of 1967 #1


"A Whiter Shade of Pale"
- Procol Harum


23 de janeiro de 2009

Música de filme

Muito se tem falado que já não há músicas de filme. Com a massificação de oferta e a rapidez com que cada novo trabalho chega ao ouvinte através da internet, seja pelo ITunes, seja por sites de comunidade, seja por outros meios, o cinema deixou de ser um suporte ao aparecimento de clássicos musicais. Hoje é o cinema que se aproveita da música, pegando em hits com os quais o público alvo do filme se identifica e os encaixa na película. Por vezes um pouco à 'martelada'.

Robert Kraft, presidente da Fox Music afirma, "I spend my whole life looking for the next 'Moon River. Audiences associate that it's the song from Breakfast at Tiffany's; it's organic to the film because Audrey Hepburn sings it on the balcony. It's not just a song anymore, it's the film's melody. If I crowbar a song in a movie, then the audience will smell a rat."

Ontem mesmo, vimos a Academia de Hollywood reduzir o número de canções originais nomeadas, de 5 para 3.

Não há melhor coisa, neste fatalismo quase consensual, encontrar genuínas excepções.

Uma com a sua coerencia e relevancia dentro da própria obra ainda por comprovar, vou esperar, ver 'Gran Torino' e depois conversamos.



Outra é a melodia de "The Wrestler". Sobre o filme, enfim, ainda não encontrei palavras para descrever, ilustrar ou transmitir a experiência que tive ao vê-lo. Porém, digo já, que um dos momentos mágicos foi ouvir esta música nos créditos finais. É a chave que encerra a porta dum éden cinematográfico ao qual voltarei,.. sempre que puder...


"Have you ever seen a one-legged man trying to dance his way free?
If you've ever seen a one-legged man then you've seen me"


11 de janeiro de 2009

TOP 2008 #3

Música. Álbuns lançados em 2008.

POPULAR
. Rita Red Shoes - Golden Era
. Vampire Weekend - Vampire Weekend
. Dead Combo - Luitânia Playboys

JAZZ/ERUDITA
. Brad Mehldau Trio - Live
. Maria João Pires - Chopin
. António Pinho Vargas - Solo


9 de janeiro de 2009

TOP 2008 #2

Filmes estreados, ou lançados directamente para DVD, em Portugal no ano de 2008.

. There Will Be Blood (9/10) - Épico

. Once (9/10) - Nem tragédia grega, nem conto de fadas. Pessoalmente, o melhor musical de sempre.

. 4 luni, 3 saptamâni si 2 zile (8/10) - Aquele filme que gostámos de ter visto, mas não queremos voltar a ver. Realismo lancinante.

. Entre les murs (8/10) - O que somos e o que vamos ser. O nosso mundo. Hoje.

. Before Devil Knows You're Dead (8/10) - Sidney Lumet renascido.

. Atonement (8/10) - Imperfeito? Sim. Pretencioso? Talvez. Belo e arrebatador? Mais certo que sem dúvida.

. Wall-E (8/10) - Character-driven, thought-provacative e personalizado. Sim, também uma animação.

. The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (7/10) - Um livro em película.

. The Visitor (7/10) - Leva-nos da resignação à maior revolta.

. No Country for Old Man (7/10) - Com maior coesão, seria uma obra-prima.

4 de janeiro de 2009

TOP 2008 #1

Golos.

1 - Adebayor/Walcott, Arsenal vs. Liverpool


2 - Jájá, Metalist vs. Besiktas



3 - Zlatan Ibrahimovic, Inter vs. Bologna

8 de novembro de 2008

Barack Obama

É este o homem que mostrou ao mundo que o sonho afinal pode mesmo comandar a vida.

6 de novembro de 2008

Profecias de um miúdo fininho com um nome esquisito



" We've been asked to pause for a 'reality check'.

We've been warned against offering the people false hope.
But in the unlikely story that is America,
there has never been anything false about hope."

(Foi nos pedido uma pausa para 'cair na real'.
Fomos avisados para não oferecer a este povo falsas esperanças.
Mas na invulgar historia de que é feita a America,
Jamais houve algo de falso na esperança.)

Excerto do discurso de Barack Obama em New Hampshire após uma das suas primeiras vitórias nas primárias.



Nove meses depois, olhamos para esta premissa e solta-se-nos um sorriso. Não só pela forma como nos é apresentada mas sobretudo pela veracidade do seu conteúdo. Só naquele país uma história como a de Obama seria imaginável, quanto mais realizável.
Na madrugada da passada quarta-feira, pelas 2h30 (quando saiu a projecção para o estado de Ohio, indiciando um irreversível caminho para a eleição do democrata) fui envolvido por um sentimento quente, daqueles que vêm as nosso encontro quando assistimos a realização de um sonho.
Já não são só os seus discursos que inspiram. Agora também a história de vida de um miúdo fininho com um nome esquisito, nascido de dois continentes, ensinará que nada é impossivel, inclusivé que um indivíduo negro com 'Hussain' como nome do meio possa ser eleito presidente dos Estados Unidos da América.

Há apenas quatro anos, o nome Barack Obama era desconhecido para a maioria dos americanos.
Foi com o seu discurso na Convenção Democrata de 2004 que se deu a conhecer o actor do próximo grande capítulo dos Estados Unidos.
Finalizo o post com um excerto desse discurso.

"The audacity of Hope"

"I’m not talking about blind optimism here -- the almost willful ignorance that thinks unemployment will go away if we just don’t think about it, or the health care crisis will solve itself if we just ignore it. That’s not what I’m talking about. I’m talking about something more substantial. It’s the hope of slaves sitting around a fire singing freedom songs; the hope of immigrants setting out for distant shores; the hope of a young naval lieutenant bravely patrolling the Mekong Delta; the hope of a millworker’s son who dares to defy the odds; the hope of a skinny kid with a funny name who believes that America has a place for him, too."