18 de outubro de 2009

Green Drinkers


Salvar o mundo, um gole de cada vez

É este o lema de um conjunto de pessoas, normalmente jovens, que se reúnem, sazonalmente, e desfrutam de uma noite bem passada em que em cima da mesa está um assunto de interesse comum: A situação ambiental.

Nada de coisas lamechas como reflexões filosóficas, mas situações de carácter prático. Os variados interesses dos participantes em áreas distintas fomentam a curiosidade. De que forma um informático ou um gestor pode participar num projecto com vista à mitigação de danos ambientais da própria empresa? De que forma um engenheiro agrónomo pode reduzir a utilização de produtos pesticidas no combate a um determinado fungo?

São problemas como estes que são partilhados e discutidos por pessoas com consciencialização nestas noitadas, que podem ser compostas de jantares, saídas à noite, passeios, ou apenas um calmo serão sentados em puffs. Uma iniciativa social interessante, do meu ponto de vista, cuja interacção entre jovens tão diferentes mas com esta apetência cria um elo estimulante na abordagem ao tema, seja ele qual for. Neste caso é o ambiente.

Para mais informações, consultar a página oficial, a notícia de base deste meu post (noticia do dn)
ou a página do Facebook. Ou então o tio Google, que sabe quase tudo.

16 de outubro de 2009

No ano de 1959 #5

(#1, #2, #3, #4, )

Hiroshima mon Amour, de Alain Resnais

Elle
: Were you here in Hiroshima?
Lui: Of course not.
Elle
: That's right. How silly of me.
Lui
: But my family was in Hiroshima.
Lui: I was off fighting the war.
Elle
: Lucky for you, eh?
Lui
: Yes.
Elle
: Lucky for me, too.


Escrito por Marguerite Duras, é um dos mais belos poemas visuais, animado pela lente predominantemente emotiva de Resnais, sobre a influência das recordações na criação da identidade e na sua maturação. Identidade individual (Elle, Lui) e colectiva, não só de um povo ou nação, mas sobretudo de humanidade. Uma minimalista mas nem por isso inócua projecção da condição humana nos objectos da mesma, mulher e homem, e na relação entre eles. Quase um Adão e Eva não-teológicos numa civilização em convulsão.
No fundo, uma contemplativa reflexão sobre memória, por alguém que insiste em nos lembrar dos nossos mais recentes pesadelos (Nuit et Brouillard).

13 de outubro de 2009

No ano de 1959 #4

(#1, #2, #3, )

North by Northwest
, de Alfred Hitchcock

Hitchcock poderá ter perdido o autocarro no inicio do filme (num dos seus típicos cameos) mas vocês têm todo o tempo do mundo para embarcar numa viagem por paisagens do mais autêntico norte dos Estados Unidos da América. Desde o ambiente urbano até ao climax em terras de história, enquadrado pelo Plaza Hotel ou pelo Mount Rushmore, North by Northwest não necessita de ser uma obra-prima para negar o conceito que a verosimilhança é condição essencial para a seriedade do filme.


Durante as mais de duas horas que Hitchcock no espicaça o córtex da curiosidade, o elemento fantástico funciona apenas como substrato de onde se edifica um drama que nunca esmorece, por obra de uma linha narrativa escorreita que não empata nem deixa de temporizar o desvelar do mistério. Assistimos também à exploração inteligente duma paradoxal relação forma/contexto, em que os momentos mais fortes são sempre embrulhados por uma postura descontraída e discurso bem-disposto.
Cary Grant, no filme pelo qual mais facilmente será lembrado, por meio da sua figura respeitável e simultaneamente atingível é o condutor ideal desta peça icónica do cinema de Hitchcock.


6 de outubro de 2009

Manfred Mann’s Earth Band – Nightingales and Bombers (1975)


Quando procuramos música que nunca tenhamos ouvido há sempre a tendência a socorrer-nos de Tops. Ou é o top das melhores bandas, dos melhores álbuns, das melhores músicas… O que não falta é Tops por aí. Regra geral nunca são unânimes. Nem poderão ser;

estamos a tratar, no fim de contas, de críticas, individuais ou de colectivos fechados (críticos de revistas, sites, rádios, etc.).

Em nenhum deles vi este álbum. Pelo menos nos primeiros 100, 200 lugares. No entanto, se me pedissem um top de álbuns pessoal este teria de constar nos… 10 primeiros.

Foi a descoberta deste álbum, juntamente com trabalho de Jethro Tull, Pink Floyd, Emerson, Lake & Palmer, entre tantos outros, que me reavivou o gosto pela música. Melhor, o prazer de ouvir música.

Manfred Mann’s Earth Band foi uma banda que não colheu grande sucesso no passar dos anos, e houve até álbuns que receberam junto da crítica e dos fãs bastante maior aceitação que o visado. Contudo este é para mim o álbum com o qual melhor me identifico.

Começa com uma cover do Springsteen, “Spirits in the Night”, desenhando uma identidade de Prog Rock com linha firme. Uma cover bem trabalhada que não fica nada mal para início de álbum, se bem que talvez seja das mais fracas do álbum. Serviu para o lançamento do álbum.

“Countdown” começa a revelar a essência do álbum: Rock com muita substância, aliando a um imenso tecnicismo uma ambiência musical muito boa, típica do rock psicadélico.

“Crossfade” é um ponto fulcral do álbum. Para mim encaixa que nem ginjas como quarta música, propositadamente para criar ou perder fãs. O psicadélico chega ao rubro e este é o momento que se escolhe para ouvir com atenção o álbum até ao fim, ou para o arrumar na prateleira.

“Nightingales and Bombers” é o ponto caramelo. A faixa que dá nome ao álbum é um épico ao nível dos grandes épicos da época, de Led Zeppelin ou Pink Floyd.

Como pontos negativos, para mim, talvez a inclusão da cover do Springsteen, que apesar de boa não reflecte inteiramente o espírito do álbum, mas a meu ver pesou a necessidade de um single consistente. Outro ponto é a perda de “pica” a que nos conduz “Visionary Mountains”, uma interessante balada, mas cuja ordem no álbum não abona a seu favor, entre “Crossfade” e “Nightingales and Bombers”.

Com tudo isto, é um álbum que define parte das minhas escolhas musicais com o passar dos anos, e como tal incluí-lo num top pessoal é imperativo. Fica a sugestão.



NightingalesAndBombers -

5 de outubro de 2009

40 anos de Monty Python

5 de Outubro é uma data história.
Porquê?
Mas que raio de pergunta.
Mas porquê?
Então porque foi no dia 5 de Outubro de 1969 que foi emitido o primeiro episódio da série Monty Python's Flying Circus.
Quem são os Monty Python?
Epá, a essa recuso-me a responder. Eles falam por si.


Portugal exemplar



Não encontrarão melhores notícias nos jornais que esta conclusão do relatório de Desenvolvimento Humano da ONU de 2009. Numa altura em que os portugueses dão 10,46% de votos (21 deputados) a quem defende um apertar das fronteiras e diz que o rendimento social de inserção só serve preguiçosos, é muito bom e enche-me de orgulho poder ainda ler coisas destas.

30 de setembro de 2009

No ano de 1959 #3

(#1, #2, )

Anatomy of a Murder, de Otto Preminger

Existe na gíria futebolística o cognome de 'carregador de piano'. Figura em extinção devido à emergência e dissimilação do paradigma da complexidade aplicado ao desporto Futebol, dele se exigiam os trabalhos mais pesados e menos visíveis, destruir o trabalho do adversário e dar segurança (cobertura) às acções das estrelas (jogadores criativos).


Em Anatomy of Murder (Anatomia de um Crime), o actor James Stewart teve de carregar com o piano para depois o tocar. Não me lembro de trabalhos tão extensos e abnegados de uma estrela em papel principal. Em cada linha de texto e tom associado, em cada expressão facial e em todos os silêncios cirúrgicos, vemos o protégé de Hitchcock a construir uma obra notável e a elevar o filme de Preminger, à partida banal, até ao Olimpo dos courtroom dramas. Depois de duas horas e meia de um suar hercúleo e para fechar o livro (outro lugar comum do futebolês) vemos finalmente James Stewart a tocar as pautas de Duke Ellington no piano que carregou.

P.S. - Alem de James Stewart, também um poster fantástico ajudou à perpetuação do filme.

29 de setembro de 2009

No ano de 1959 #2


(#1,)

Some Like It Hot, de Billy Wilder

Um filme nos antípodas da Nouvelle Vague. Aqui tudo cavalga no show off. O filme é tratado como uma tela virgem que se enche até que nenhum vislumbre do branco original seja possível. Apoiado num refinado texto, o próprio método de interpretação revela uma formação teatral e o impacto no espectador é objectivo primário ao qual se submete o contar da história.
Um dos filme imortais de Hollywood da década de 50, ainda imune aos novos registos europeus.


Ve-lo hoje é um interessante exercício de comparação com a produção actual de comédias românticas. Toda a maquilhagem não impediu a emergência de uma individualidade de "Some Like It Hot" e de autênticidade das suas estrelas (Tony Curtis, Jack Lemmon e Marilyn Monroe). Procurem por estes conceitos no cartaz da semana.


23 de setembro de 2009

O melhor número do Will Ferrell

Já era tempo de alguém defender as coitadas das seguradoras de saúde. E os pobres dos seus accionistas. Para não falar dos seus acossados administradores, que deixariam de ter os seus milhões de bónus.

Humor do bom, como activismo político.



E eu não estou a ser sarcástico, not at all.

P.S. - A do mini-zoo é muito boa.

O maior dos quatrocentos golpes ou, No ano de 1959 #1


Bem, depois da fantástica pancada do Federer no post anterior, tinha de elevar a fasquia. Em qualidade seria discutível, ... talvez não, em quantidade só falando n "Os Quatrocentos Golpes" de François Truffaut.

Há aquele popular aforismo "Quem não sabe fazer, ensina", muitas vezes citada para desvalorizar o conhecimento instruído/científico em oposto ao empirismo. E há aqueles que observam, estudam, pensam, propõem novos paradigmas e depois criam obras que aqueles que dizem "Quem não sabe fazer, ensina" copiarão até que um novo intelecto agitador faça «tilt» às convenções instaladas.


Truffaut foi crítico de cinema antes de realizar e terá sido esse distanciamento supervisionado que lhe permitiu, nas minhas palavras, mandar uma enorme pedrada no charco. Outros chamaram-lhe a Nouvelle Vague.
Com "Les Quatre Cents Coups" uma nova forma de filmar irrompe. Aquilo que era artifício fica de fora, a encenação é secundarizada, enquanto que a estória, os personagens e aquilo que lhes é intrínseco é magnificado, nada mais. O que distrai não interessa, o que nos aproxima é explorado.



É assim que Truffaut nos mostra (com marcas autobiográficas) Antoine Doinel e os que os rodeiam. Colegas, professores, pais, o seu amigo Rémy e Paris, aquela Paris donde não se vê a torre Eiffel, e a qual Antoine e Rémy preferem ao pátio da escola ou aos seus ninhos familiares. Tudo é conexo, desde o caixote do lixo ao canal da mancha e tudo nos guia àquele solitário mas libertador plano final, um dos momentos mais autênticos que vi em cinema.


14 de setembro de 2009

Care for a hotdog?

Federer: "The greatest shot I ever hit in my life,"


8 de setembro de 2009

The Soloist

Pode não ser o mais feliz dos filmes, digo até que é uma obra bastante limitada, mas é uma história magnífica e isso obriga-me a o vos aconselhar.

2 de setembro de 2009

Fotografia Molecular

Uma equipa de investigação da IBM em Zurique bateu o 'record mundial' de resolução máxima de imagem. Usando a non-contact atomic force microscopy, pela primeira vez se consegue ver de facto a estrutura atómica de uma molécula, no caso o pentaceno.Quando jovem imberbe iniciado na escola, e pela primeira vez olhei por um microscópio não imaginava que iria ver algo assim, mas qualquer coisa parecida. Então depois de me dizerem que havia ultra-microscópios de varrimento electrónico, etc... pensei que fosse possível ver tudo o que existe. Com o evoluir do tempo e dos ensinamentos lá fui compreendendo as limitações da tecnologia e cheguei à conclusão que a ideia de conseguir ver àtomos era a coisa mais ingénua que tinha pensado. E isso foi para mim um pouco como a morte do Pai Natal na infância.
Quando vi esta imagem lembrei-me da tal primeira vez ao microscópio e achei engraçado como em tão pouco tempo utopias caem. E afinal o Pai Natal pode existir, cientificamente provado.


27 de agosto de 2009

Them Crooked Vultures


Com a "Gripe Muse" a começar a surgir por estes tempos em Portugal, é minha obrigação apresentar um projecto que vou querer seguir com muita atenção. Falo dos Them Crooked Vultures.

Quem são estes senhores?

    Josh Homme

    Dave Grohl

    John Paul Jones


A mim bastou-me ver isto para ficar completamente abazurdido. Claro que já tive decepções que cheguem devido às chamadas super-bandas (projectos constituídos por elementos de mais do que uma grande banda) como Audioslave (a minha maior espectativa de sempre no mundo da música, talvez por isso foi uma decepção) e Velvet Revolver (se bem que o Libertad é fabuloso, mas pecam no álbum de estreia), etc.

Mas mesmo assim acredito muito neste projecto. Se bem que de um modo mais racional do que de anteriores espectativas.

Josh Homme acabou de produzir o novo album dos Arctic Monkeys (outra febre lusa que ainda tou para perceber, mas pronto (e agora vêm cá em Fevereiro, histeria total) -este álbum é bom, pelo menos está muito bem produzido -lol) e é o Mr. Queens of the Stone Age. Acho que não preciso dizer mais nada.

Dave Grohl era o baterista dos Nirvana. Com a morte do Cobain, Grohl resolveu tentar a sua sorte noutro tipo de projecto. O primeiro album dos Foo Fighters foi todo planeado, composto e quase na íntegra interpretado por ele, só depois contratou os restantes membros da banda. Um génio.

John Paul Jones é o baixista e teclista dos Led Zeppelin. Ponto.

Never Deserved the Future será lançado no final de Outubro.

Elephants:

Há 70 anos...(I)


O tratado Molotov-Ribbentrop


23 de Agosto de 1939, Moscovo


Está prestes a começar a cerimónia de uma assinatura de um pacto que irá ter especial influência no conflito mundial que se avizinha.


Joachim von Ribbentrop está de pé, ao lado de Estaline, à espera da sua vez de assinar. Ocupando o cargo correspondente ao de Ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, está ansioso. Sente a responsabilidade. Graças a este tratado, o Führer terá menos preocupações. Este tratado permitirá à grande Alemanha a preocupação exclusiva com a frente ocidental. A URSS não colocará nenhuma objecção aos objectivos do Führer, sejam eles quais forem. Mas a Polónia será dos Alemães, sem nenhum tipo de entrave por parte dos comunistas. Isso deixa-o satisfeito. É ainda uma reiteração de pactos de não agressão e de transacções económicas entre os dois países. Que falta faz à Alemanha o petróleo que vem da URSS...

Mas sente-se nervoso, encontrando-se na presença de Joseph Estaline. Correm rumores que alguém teria deixado escapar nos corredores de Berlin que este se trata de um pacto temporário. Que quererá isto dizer?



Estaline olha atentamente enquanto o seu ministro Molotov assina o pacto bastante vantajoso. Não quer saber o que Hitler está a planear, apesar de já o adivinhar há muito. A sua URSS, mantida com pulso de ferro, encontra-se num estado lastimável. A ditadura comunista é claramente bastante mais frutuosa que os tempos iliterados czaristas, mas no entanto a pobreza mantém-se e é problemática. Assim, basta à URSS não se preocupar com Hitler, em troca de ouro e armamento para o seu exército miserável. As más linguas em Moscovo e no mundo dizem que Hitler assusta Estaline. Será provavelmente dos poucos homens ao cimo da terra que lhe metem respeito. Estaline assumidamente sente que não tem a visão de Hitler, nem a sua inteligência, o que o torna numa ameaça. Este pacto só vem trazer vantagens, principalmente porque assim a URSS fica com o báltico, em detrimento da Lituânia, e já pode tentar a tomada da Finlândia, um dos seus interesses imediatos. Toda esta troca de regiões de influência é benéfica para a Russia, portanto um bom negócio.