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13 de abril de 2012

Gosto porque sim. E isso é estúpido.


A ideia de partilha de modos de estar e sentir através de, por exemplo, redes sociais atormenta-me, quanto mais não seja pela perda de identidade individual em detrimento do sentimento de fazer parte de um grupo. É a ideia de gang que se generaliza e a perda de valor individual.
Quando vejo alusões, como frases ou vídeos, a autores que aprecio fico furioso, pois não suporto que haja alguém com uma relação com aquele pedaço de mim. É-me fácil aconselhar alguém a ver, mas não gosto da partilha de emoções específicas em relação a uma cena, ou a uma frase, mas sim da troca de perspectivas. Sinto que a minha individualidade se perde na partilha, e custa-me a aceitar que as pessoas gostem especificamente do mesmo aspecto que eu, quando aquilo faz parte de mim, e não quero pertencer a um grupo de gente que abertamente gosta do mesmo. Não por me achar superior, mas antes por achar que se quebra algo na minha construção cultural.
Mas parece que a Internet, no processo inverso veio criar a ideia da partilha de emoções, e não a partilha de cultura. Ninguém no facebook diz: aconselho vivamente este livro ou filme, toda a gente dá a sua opinião pessoal, quantifica o gosto do mesmo, partilha uma frase que passa, por vezes na parvoíce, como profunda, identifica-se com uma música de um album de uma banda e espera a generalização do seu gosto e que outras pessoas dêem a essa opinião determinada importância. Perde-se portanto na divulgação de cultura e ganha-se na divulgação de opiniões, criando um ciclo que pode vir a generalizar. Como um gang, gera-se um conjunto de pessoas dispostas a defender essa opinião de gosto, contra as pessoas que não concordam, provocando em vez de um saudável debate, um tiroteio irracional de palermices ditas, no fundo um "ou é isto ou és estúpido porque sim e mais nada". A massa crítica individual perde-se pela influência do tal gang, onde se geram estas famigeradas manifestações comuns de gosto. Trata-se assim de uma educação geral do gosto, como se de matemática ou religião se tratasse. E não considero nada disto saudável. A cultura pertence a todos mas tem de ser vivida interiormente  e não em grupo, até porque se tal acontecer não se ganha nada em partilhar a mesma experiência com uma pessoa ou pessoas que já pensam, ou dizem que pensam da mesma maneira, porque à partida o nosso gosto individual estará condicionado pelo gosto do grupo em que nos inserimos, uma noção que abomino.
Numa nota final, também a aparência de cultura é desencadeada a partir deste tipo de interação social, e quase que é impelida para aceitação no tal gang, e o oco cultural ocorre, e o senso crítico perde-se por aí.  O comentário em relação a uma obra cultural, apesar de partir da boca da pessoa, pode ter surgido através do grupo onde essa pessoa se considera incluída, pois considerando o historial de gosto do grupo, a opinião de rebanho é novamente manifestada, sem que forçosamente haja uma interação individual com a obra, mas uma interação indirecta através do rebanho. Assim, já não é raro ouvir alguém falar solenemente de um filme ou livro que talvez nunca lhe tenha passado pelas mãos ou olhos, e formar um juízo inicial apenas porque sabe que existem já opiniões idênticas dentro do grupo da sua largura de banda de gosto. Ou porque leu algo sobre o assunto de um crítico com quem sente afinidade, ou por outra razão qualquer. A troca de impressões é saudável quando não há unanimismos nem fundamentalismos colectivos.
Por isso não me espantou tanto que, numa entrevista, os apresentadores de um novo programa sobre cinema no Hollywood tenham dito, legitimamente: "[...]como não temos tempo para ver os filmes, recorremos aos trailer e a opiniões na net…" mas, que apesar disso "[...] somos nós que escrevemos os textos[...]". Párem com isto, por favor, chega de brincar ao "diz que sabe", tenho ainda a integridade na mais alta conta.

Pode até parecer que me contradigo ao gostar de escrever opiniões num blog, mas apesar de tudo a crítica é individual e da responsabilidade de quem emite a opinião, mas quem dela se apropria e a retém como sua, sem a dissecar a partir do seu ponto de vista é a meu ver, isso sim, ridículo.

12 de abril de 2012

O ato de atar o sapato...

Como é do conhecimento generalizado, a utilização dos sapatos com atacadores vem, pelo menos desde há cinco mil anos, 3000 a.C., apesar de a patente ter sido registada, oportunamente, por volta dos anos 70 do passado século.  Ao longo do tempo, a resistência, qualidade do material e comprimento, entre outros, do atacador ou cadarço sempre foi muito apreciada. Mas, sendo eu um leigo no modo técnico de fabrico, não vou aqui emitir juízos sobre possíveis deficiências nessa execução, e peço perdão ao leitor se, por esta decisão, lhe suprimi desde já o interesse em relação a esta crónica.
Contudo prefiro referir-me ao seu aspecto social, sobre o ato de atar um sapato. De um modo geral, é uma prática que colhe menos adeptos nos dias de hoje,algo que era corriqueiro observar-se há alguns anos, é um ato que considero à partida de suprema utilidade, numa camada superficial de análise por mais que não seja pelo fato de o ato de atar em si representar que a partir daí, por um finito mas seguro intervalo de tempo, não corremos o risco de malhar com os cornos no chão devido, lá está, ao incumprimento ou desmazelo em relação a tal tarefa.

Escrevia eu que esta é agora uma prática mais remota. Pois bem, aos poucos nota-se que se vai perdendo esse gesto na rua, mas admito que pessoas ainda o pratiquem com solenidade em casa. Mas a modernidade altera a realidade e com ela os tipos de sapatos, optando muito boa gente por outro tipo de calçado, mais na moda, talvez. Aproveito aqui também para demarcar o meu texto de instintos referentes a moda, pois o rústico em mim preferirá sempre a segurança e o conforto.
Mas confesso que até já observei com misantropia em lojas e ruas sapatilhas sem atacadores, mas apenas com os orifícios, os passantes. E pessoas em praça pública carregando abominável calçado. Ora, com franqueza... tudo bem que por exemplo o velcro até pode ter ganho o seu espaço em dias que já se contam à lareira em noites de tempestade,  e ao qual devo até atribuir mérito, apesar de não apreciar por inteiro esse tipo de atamento. Poderia estar para aqui a articular uma rábula do ofendido mas confesso que sou tolerante ao velcro, até por considerar a óbvia dificuldade na deficiência ou nas doenças reumáticas neste ponto. Mas a indulgência extingue-se nesse campo dos sapatos de atacadores, com passantes, sem os próprios cadarços. Que ultraje!

É evidente que atribuo certas inconveniências em relação ao ato. Nem tudo são rosas. É certo que ao caminhar com o grupo de amigos nos sentimos restringidos para atar o atacador desapertado , e arriscamos até alguns passos antes da decisão sóbria pela segurança, pois ao atuar, atando o sapato, cumpre perder-se tempo na passada, perder o ritmo do andamento, parar, perder o fio da conversa, ficar para trás. E talvez nestes tempos que correm, ao regressar ao grupo, com embaraçosos passinhos corridos, se possa ouvir uma ou outra boca acerca dos atacadores presentes no calçado ou até um atentado à habilidade, e consequentemente, à honra da pessoa no cumprimento da ação. Mas hoje em dia até se assiste já uma certa profissionalização na medida em que por vezes encontramos pessoas que, acelerando o ritmo, dão largos passos de avanço, como que medindo o tempo para atar o sapato, de modo a serem alcançados na altura exacta da conclusão do nó. É obviamente um reflexo da predestinação dessas pessoas para o ato de atar.
Por outro lado há a inconveniência do nó a utilizar, principalmente se tivermos formação na área dos nós, não queremos ficar mal vistos perante a sociedade, até porque existem, segundo os estudos, mais de trinta formas comprovadas de atar um cadarço corretamente. A um marinheiro ou escuteiro requer-se que tenha sempre os atacadores apertados exemplarmente, por exemplo. A decisão a tomar quanto ao nó é bastante delicada, e ao menor erro qualquer nó direito intermédio poderá resultar num processo de "nó cego" que , caso o atador não possua unhas salientes e fortes, bem como também um forte sentido de resiliência, pode tornar-se num processo difícil de reverter. Peço ao leitor que neste caso confie no meu relato pois com infelicidade eu próprio já fui sujeito a essa experiência e é algo que não desejo a ninguém. Aconselha-se, portanto, cautela e neste aspecto o ambiente familiar é o responsável em primeira instância  por uma educação vocacionada para o ato de apertar os sapatos com atacadores.
 Não quero com isto fazer juízos de valor em relação a famílias cujos representantes andam de sapatos mal apertados ou desmazelados, pois sabe-se que a rebeldia da juventude  é saudável e determinante no processo de crescimento e desenvolvimento intelectual , e até o próprio risco é marca dessa mesma tentativa de afirmação e demarcação, e nesse risco incluo essa prática de consciente desmazelo. Eu próprio, confesso, nos tempos áureos da inocente juventude me vi a comprar atacadores com o objectivo de não os atar, sim, pois a coloração dos mesmos e a sua largura apelavam preferencialmente à ostentação e não à segurança do sapato ou sapatilha. Mas quem sabe se de gestos simples como este não poderão eventualmente resultar na germinação de princípios ideológicos de índole mais fundamentalista na mente dos jovens de hoje?
É este o mais desolador retrato de uma sociedade em manifesto declínio.

2 de abril de 2012

Tanta coisa...


Sei quem é o primeiro Rei de Portugal, claro. O Segundo? Não.  Nem o último. Não percebo nada de história de Portugal. Ouvi falar de Napoleão mas isso da Revolução Francesa... 1789? Nah, sei lá, foi o ano da Independência do Brasil? Ah é isso da França, tá bem.  Sei lá eu da história da França.

Sim estava a falar do Brasil. Quem o descobriu? Deve ter sido o Magalhães, para darem o nome ao computador, né? Vê, 1800 e tal, não falhei muito!! Ipiranga não, só conheço guaraná. D. Pedro? Sei lá, Getúlio Vargas? Foi rei lá? Ah o Pelé sei, esse sim, é o rei. Do Brasil só sei as telenovelas e mal.

Capital de onde? Isso é um país? Oh, sei lá, já dei geografia há tantos anos, nem gostava da professora, tinha uns vestidos muito esquisitos.

Alcatraz? Claro, é a prisão do Nicholas Cage. Pergunte-me o que quiser de cinema.
Lumière, Griffith, Murnau,Welles, Lang, Buñuel, Antonioni, Fellini, Leone, Kubrick,Truffaut, Tarkovski? Sei lá, isso são actores ou tá a inventar? Ah já morreram, ainda por cima? Oh, não tenho pachorra pra ver filmes velhos. Mas olhe, nem novos, então essa porcaria que apareceu que é o Twilight, já viu? NÃO VIU, ATÃO NÃO VEJA QUE ISSO É UMA PORCARIA, veja ao menos o Harry Potter. TAMBÉM NÃO VIU O HARRY POTTER??? O QUÊ?? COMO É QUE É POSSÍVEL!!! QUE TRISTEZA, e depois o inculto sou eu!

Guerra do Golfo? Foi contra o México, não foi? Não? Epah pronto não sei, isso não é a minha praia. Omaha? Normandia, dia d? Sei lá, quero lá saber de guerras, era bom é que parassem com as guerras, o pessoal quer é paz.
A bandeira de Portugal? A área? Então o verde e o vermelho são iguais. Não são? Pensava que sim...E depois tem aquela gaita amarela no meio...

Cervantes? Voltaire? Proust? Goet..quê? Eit sei lá! Ah, é livros, não gosto de ler, é uma perda de tempo.
Rachmaninoff, Schoenberg, Stravinski, Mahler? Strauss? Qual Von Karajan? Nah.. Ah música, tá bem, só conheço os grandes como o Mozart. Compôs o quê? Olhe agora de repente não me lembro dos nomes mas por exemplo aquela assim: tantantan tan, tantantan tan.. Não, ah pois, Beethoven, isso.Não percebo muito, não gosto. Gosto dos Beatles, esses sim, são grandes. Album? Não conheço albuns, conheço a Imagine, é brutal.

Michelangelo? Foi o gajo da Mona lisa, acho eu, mas não me interesso muito por essas tralhas. Gosto é de fotografia.  Hã? Ansel Adams, Liebowitz não, nada disso, a minha é uma Canon.

Política? Eit, quero lá saber disso, são todos uns aldrabões! Então o Socrates é o pior! Ah, pois, agora já não é o Sócrates, é outro qualquer.. Mas é tudo o mesmo!
 Ahahahah, agora está a gozar comigo, sei lá eu como é que se planta uma couve! Nem gosto de couves, quanto mais...
Por que é que eu me interesso? Sei lá, por tanta coisa...

28 de março de 2012

Tautologias e Pleonasmos*


Não tenho a certeza absoluta qual o elo de ligação que despoletou de repente este tema. Penso que há uns anos atrás li qualquer coisa parecida do Bagão Félix n’A Bola sobre desporto, isto agora mais recentemente aliado a um ou outro discurso oral de políticos. Outra alternativa a isto seria eu próprio estar sentado com o rabo no sofá. Não, pensei para comigo, vou antes escrever umas palavras sobre este assunto tendo em conta a minha opinião pessoal. Não planeei antecipadamente isto e não é decerto uma nova criação, mas não fosse o título e as palavras destacadas a negrito, e o texto seria certamente uma surpresa inesperada e até uma parvoíce para quem o lesse, pois chegando ao fim não haveria propriedades características suficientes de modo a que a pessoa humana percebesse o significado do mesmo. Continua na mesma a ser uma parvoíce mas é engraçado constatar que utilizamos estes erros sintáticos de linguagem quotidianamente juntamente com outros tantos e se é certo que seremos todos unânimes em notar que uns são demasiado ridículos, como subir para cima uma subida para chegar ao cimo, haverá uma multidão de gente que nem repara com atenção nos detalhes mais minuciosos de um ou outro tropeção linguístico mais recôndito. Estarei porventura a ser demasiadamente excessivo nesta sátira mas contudo é um fato real e que possivelmente poderíamos nunca vir a encarar de frente!
*Com agradecimento especial à wikipédia, assim não custou nada.

20 de julho de 2009

Faz hoje 40 anos...


- Existem diversas fotos com sombras em várias direcções, sendo que a única fonte de luz seria o Sol e todas as sombras deveriam ser paralelas.
- Fotos com diferentes tamanhos da Terra, vista da Lua, evidenciando montagens desproporcionais.
- Existem milhares de fotos com penumbra, sendo que seria impossível haver penumbra na Lua devido à ausência da atmosfera.
- Faltam as estrelas no fundo de todas as fotos. Com a ausência da atmosfera, as estrelas seriam ainda mais reluzentes.
- Nas fotos e vídeos, a bandeira dos EUA fica a esvoaçar ao sabor do vento. Porém, não existe vento na Lua simplesmente porque na Lua não há atmosfera.
- Em centenas de fotos, há pegadas dos astronautas na Lua. Mas, seria difícil haver formação de pegadas devido à falta de humidade e de gravidade.
- Numa das fotos, há indício de alguém ter colocado debaixo de um dos pés do Módulo Lunar um montinho de terra para que este pé não ficasse no ar.
- Pelo que se vê nas fotos, não houve pouso do Módulo Lunar. Ele teria sido colocado delicadamente naquele local. Não há marcas no solo do propulsor da nave.
- No mesmo lugar onde o pé do astronauta cria uma profunda pegada na superfície lunar, o pé do módulo lunar se mostra muito delicado na superfície da Lua, sem causar qualquer estrago.
- Pelo tamanho do Módulo Lunar, dificilmente existiria nele combustível suficiente para o colocar em órbita novamente.
- Não existem, até hoje, filmes fotográficos que resistam à enorme variação de temperatura que ocorre na Lua.
- Em 1969, os astronautas conversavam, da Lua, com a NASA, na Terra, em tempo real. Esta tecnologia não existe até hoje.
- A radiação solar incidente na Lua, sem atmosfera, é mortal para qualquer ser humano.
- Dificilmente existiriam roupas espaciais, na época, que resistissem às enormes variações de temperaturas da Lua (-153ºC a +107ºC).
- Dificilmente existiriam roupas espaciais, na época, que resistissem à ausência da pressão atmosférica na Lua.
- Extrema semelhança do ambiente das fotos mostradas pela NASA com o Deserto de Nevada, nos Estados Unidos.
- Indício de Stanley Kubrick dentro da NASA, que poderia ter auxiliado na criação dos efeitos especiais utilizados na fraude.
- Oficialmente, a NASA só teria realizado seis missões tripuladas à Lua, de 1969 a 1972, exatamente durante a gestão do presidente Richard Nixon. Após isso, nunca mais o homem teria voltado à Lua.
- Richard Nixon, envolvido em falcatruas que mancharam a imagem dos Estados Unidos, foi o principal articulador do escandaloso Caso Watergate, o qual culminou em sua renúncia durante o primeiro processo de impeachment estadunidense.
- Indício de manipulação na foto do "Jogo dos 7 Erros" mostra várias cruzes distorcidas, mas tais cruzes não poderiam estar distorcidas nem mesmo por lentes objetivas, que ficam do lado externo da câmara, já que essas cruzes fazem parte de um recurso interno da câmera.
- Mesmo tendo noção de que tinha posse de tal material, a NASA nunca exibiu as imagens do primeiro pouso do homem na Lua que teriam sido gravadas em fitas de vídeo e retornado à Terra com qualidade infinitamente superior às transmitidas "ao vivo".
- Em 2006, a NASA afirma ter perdido os vídeos originais do primeiro pouso na Lua, que teriam qualidade bem superior aos exibidos a todos até hoje.
- Em 2009, a NASA declara que, para economizar dinheiro, e sem ter cópias das fitas originais, gravou intencionalmente outras imagens e dados de satélites em cima das fitas originais que continham o facto histórico mais importante da NASA em todos os tempos.
- Richard Nafzger, engenheiro da NASA, afirma que o objectivo maior do governo dos Estados Unidos em relação à ida do homem à Lua era para efeito de marketing.


O que tenho a dizer em relação a isto tudo? Parabéns ao ser humano por ter chegado à Lua, e esta data ainda continua a fazer-nos sonhar, a cada dia que passa inspira-nos a realizar utopias. Não interessa quando foi, e se foi.

Obrigado por tudo, Armstrong, Collins e Aldrin.

"I believe that this nation should commit itself to achieving the goal, before this decade is out, of landing a man on the Moon and returning him safely to the Earth." - JFK

"That's one small step for men, one giant leap for mankind" - Neil Armstrong


15 de julho de 2009

Insignificância...

(Assim termina finalmente a minha trilogia: Formigas, Angústias e Insignificância, que já tinha escrito antes de existirem os Abazurdidos)


Toda a gente pensa em jovem que poderá dar o seu contributo à humanidade, ou com o cargo que sonha ocupar, ou com qualquer revolução nos campos das ciências, ou até mesmo na descoberta da cura de certas doenças…

É natural quando somos pequenos querermos ter na nossa vida adulta uma profissão bastante altruísta… ou bombeiro, para salvar as pessoas, ou médico ou enfermeiro, para as curar, ou mesmo até queremos ser algo tipo veterinários, porque gostamos muito de animais, e não entendemos como é que existem pessoas que abandonam os seus próprios animais de estimação…ficamos chocados…


Sempre pensei assim…agora já não.


Algum tempo depois começamos a pensar mais em nós. Penso que se enquadra naturalmente na mentalidade sequiosa do ser humano… Ou pensamos que poderemos ser conhecidos e famosos, ou então que com a nossa profissão nos poderemos tornar pessoas ricas ou importantes nos negócios, por hipótese continua nos nossos planos a profissão de médico ou engenheiro, mas pelas razões menos altruístas… enfim, começamos a ser engolidos pelo mundo capitalista, algo perfeitamente normal, pois sem dinheiro, insurjam-se os poetas e os românticos, não é possível ser completamente feliz no nosso mundo…


Também já pensei assim…agora já não.


Decerto já todos pensámos assim…É triste testemunhar que estes pensamentos comuns nos levam à normalização, ou seja a sermos apenas mais um entre milhões…todos nós queremos ser algo de especial na vida, e acabamos por nos confundir no grupo imenso das pessoas que querem ser especiais na vida… é paradoxal…tornamo-nos comuns mortais…

Sim, é isso, a ideia de sermos mortais, de pensar que podemos deixar o mundo sem uma única contribuição em prol deste é algo sufocante para muitos…que fazer? Desesperar?

Preocuparmo-nos com?

Com o passar do tempo vão-se perdendo oportunidades, chances, esfumando sonhos de uma vida, tornando-nos pouco realizados, pouco enfáticos em relação à vida… tornamo-nos ainda mais cinzentos, normalizados…que raio…é incontornável?


Era algo frequentemente abordado nos meus pensamentos… agora já não.


Há que seguir o impensável por mim, mas que se tornará a inevitável e derradeira saída para o mundo em que vivemos hoje em dia… Há que ter em conta que devemos viver o momento… seguir a tão apelidada por mim: a psicologia da treta…

Como todos sempre pensei nisso como algo muito bonito, mas quase inconjecturável… pensar que devemos viver o momento quando temos uma frequência daqui a uma semana, quando temos contas para pagar, etc.…

Que poderei dizer? Que já quis ser médico e veterinário e ajudar pessoas e animais, que depois me interessou o ramo da justiça, mas cedo se desvaneceu, que optei pelo ramo das novas ciências e tecnologias, o que me poderá facultar bons vencimentos, que poderei um dia ingressar na política mas apenas para ganhar mais algum, como os outros todos que lá estão, que vou ter uma frequência para a semana e ainda não estudei niente?


Claro que já pensei nisto tudo…mas agora não.

Agora não me chateiem… tou a ouvir o último dos Metallica

22 de abril de 2009

Aulas para pessoas insensíveis, mas com alguma dose de sensibilidade xd

Este post não é para pessoas sensíveis, estou a avisar! Vai tratar-se de uma breve descrição das minhas aulas práticas de anatomia patológica e da crescente frustação que as mesmas me fazem sentir relativamente ao meu sentido (sobretudo) táctil.

Só para dar um ideia básica, são três horas por semana, de pé, sem intervalo, que por vezes se prolongam quando o tempo é insuficiente. A descrição odorífera e visual fica para os colegas presentes que tal como eu não se impressionam com qualquer coisinha (xd) e não quero correr o risco de despertar nalgum leitor que por aqui se perca, algum sentimento de repulsa. Posso apenas dizer que não é bonito de se ver, pelo menos à primeira vista. A nível médico e científico é incrível. Contudo, mais que a o "espectáculo" visual, o cheiro a podre, os pêlos que nos atrofiam o nariz, o sangue nas mãos, nas batas, facalhões, bisturis e afins, (ok ,eu disse ía evitar sentimentos de repulsa) o que mais me incomoda é mesmo a minha falta de sensibilidade. Temos portanto um baço na mão, um fígado, um pulmão, uma massa tumoral, qualquer coisa... que devem ser acompanhadas de respectiva e pormenorizada descrição: friável, consistente, firme, range ao corte, sólido, quístico, exuberante, discreto, moderado, aspecto atoucinhado, branco amarelado, amarelo esbranquiçado, cor de ferrugem, vermelho muito escuro, negro, brilhante, translúcido, opaco, liso, rugoso... oh god! A minha capacidade táctil e visual não tem estes modos todos... além de uma dose de sensibilidade superior também seria útil um dicionário de sinónimos para a aula e respectivos relatórios... já estive mais longe de arranjar um.

E pronto, são as peripécias de quem frequenta o melhor curso de sempre. :D

14 de abril de 2008

Rádio #2

-Até logo.
Acabei de rodar a chave e estou a pôr o cinto.
São 10h45,
enquanto o motor aquece, tenho uns segundos mortos para ligar o rádio
são mais ou menos 10h45, talvez um pouco mais.
estão a falar de cinema na Antena 1, deixo estar
Ok, já são quase 11h e tenho aula às 11h.
Atrasado, "What else is new?", arranco desajeitadamente.
Findo o folheto cinematográfico, o António Cartaxo mete Beatles a propósito do barroco, não percebi porquê, distraído a encontrar estacionamento.
Desligo o carro. Desligo o rádio.

-Porra! Já 'tou atrasado! Mesmo que demore uma hora e um quarto, já lá chego depois das 5h.
Deixo a velha Nacional 1, e entro numa das mais bonitas vias de Portugal. 50 milhas de asfalto envoltas pela natureza pura do interior, entre Condeixa e Tomar. Infelizmente abandono-a 5Km's depois.
Sinto-me sozinho, já tenho o plano de treino na cabeça, e nada mais para pensar.
Ligo a Antena 2, hoje é o Romantismo do sex. XIX que me fará companhia até Alburitel.



-Correu bem. Ok, eles não ligaram nada ao 4v1, mas não correu mal. Aquele Zé,... Sexta-feira vai ser diferente.
Estou cansado agora. Bastante cansado. Pena demorar só 2 temas até casa.
Jazz, o meu Jazz. Relaxante, delicioso, o melhor período do dia ao volante.
Demoro em pôr-me a caminho, fico ali 5, 10 minutos a abrandar o meu ritmo cardíaco, a recuperar a voz, a pensar que jantar me espera em casa.

-Que jogo de bosta!! 'Inda queixavam-se do Chelsea do Mourinho, pfff. Pasmaceira! Imagino o Liverpool-Arsenal, que jogatana não terá sido.
Paz, a estrada só para mim.


Vou imaginando o serão dentro das casas por que passo:
Os mais novos a fazerem os
tpc's de matemática "Pai, ajuda-me aqui!".
As mais novas a plenearem o guarda-roupa para amanha.

As mais velhas a descançarem o intelecto em frente às novelas da TVI.
Os mais velhos, aqueles que já chegaram, a entreterem-se com "A Bola" que não tiveram tempo para ler de manhã.
Na rádio, abrem a antena (a 1) para "O amor é ..." e a-propósito da discrepância entre respostas de inquiridos e inquiridas, Júlio Machado Vaz entretem-me com uma anedota subtil dos seus tempos de recreio do liceu.
-4-2 para os Beatles do Rafa Benitez. Tcchhii!
O noticiário desportivo aumenta a minha frustração de não ter assistido ao jogo do ano.
'Acordo' da estrada com mais «5 minutos de Jazz».
Enquanto os outros vêem televisão, eu oiço a Alma Nostra. Conversa interessantima, pontos de vista mais distanciados daqueles que nos habituámos a ouvir, e também algum ego à mistura. "Não é?", Carlos Magno e Prof. Amaral Dias, "Não é?".
Fico no carro até à meia-noite a ouvir um curiosidade engraçadissima: o primeiro boicote olímpico de que há memória foi praticado pelos chineses.

Vou dormir, afinal de contas, já é quarta-feira!

11 de abril de 2008

Rádio #1


Re-Descobri a rádio.



As 3ª feiras de levantar, aula, almoçar, planear, viajar, treinar, jantar, viajar, ler/ver/ouvir e deitar, obrigaram-me a hipócritizar-me. Passei a deslocar-me (quase) exclusivamente no meu contemporâneo mercebes-benz da mira sobre o capot, contrariando valores ecológicos e de consciência comportamental de sociedade que apregoo.
Este aburguesar da minha rotina aproximou-me da rádio.

A rádio de há 30 ou 40 anos era certamente mais interessante que a actual.
Enquanto que o conceito de tv nacional se confunde com série horizontal de telenovelas, a rádio repete o aforismo da programação em linha recta, desta vez com música.
Paradoxalmente, tal como na televisão, o aumento da oferta de canais/estações não elevou a qualidade, nem tão pouco aumentou o leque de opções. (não , não é um contra-senso).
A maioria das rádios actual poderia facilmente ser substituida por um gerador de playlist's (sim, eu ainda acredito que o não o é já).
Não se distinguem entre si, passam a mesmo música, às mesmas horas, sempre com a lógica de martelar repetidamente os mesmos temas até que "entrem no ouvido".

E aqui se salva o serviço público...
(continua)

27 de março de 2008

Paragem de Autocarro


Chegado à paragem de autocarro do 33 na Portagem, deparo-me com um indivíduo, senhor dos seus 60 e tal anos, por aí, a ler o DN sentado no banco com perna traçada. Consulto o horário afixado. Próximo autocarro 11h. Consulto o relógio: 10h35. Tenho tempo. Sento-me no banco, retiro o Público acabado de comprar de dentro da minha pasta característica de Estudante de Coimbra, traço a perna também, quase no gozo, com um breve cumprimento:

-Bom dia.

Breve “bom dia” de resposta.

Preparo-me então para ler os seus artigos de opinião, com o Esteves Cardoso a queixar-se da operação que iria fazer no dia seguinte à coxa, queixando-se da vida, coitado, quando oiço ao meu lado:

-Estuda no Pólo II?

-Sim, por acaso.

-O quê?

-Engenharia Electrotécnica.

-E isso tem algum tipo de perspectivas?

Eu olho para o homem...”Como? Não percebi”. Ele repete a pergunta e eu respondo-lhe com um breve: “Tem muitas, felizmente”.

-Pois agora com o Bolonha, é uma miséria. Eu tirei Direito com 11 na minha altura mas n tenho medo nenhum de ser posto à prova contra um indivíduo de 20, agora sai tudo mal preparado.

-Sim, de facto, concordo com a sua perspectiva.

E então começa:

- A mentalidade portuguesa é miserável, somos todos medianos com um certo medo de assumir responsabilidades, tentando sempre o mais cómodo. Mas isto nem sempre foi assim.

Pronto, e depois disto, e depois de malbaratarmos tremendos adjectivos pouco dignificantes por Justiça, serviço de Saúde, a mania de tentar atingir a perfeição da sociedade característica da mentalidade de “esquerda”, a mania da posse da cultura por parte da “esquerda”, o facto de os sucessivos governos pouco se sujeitarem a alterações de fundo e andarem a acariciar a “rama”, já temos umas 6 pessoas a assistir à nossa discussão. E então oiço:

-É por estas e por outras que o país não avança. O Salazar tinha o país fechado ao exterior mas não deixava os incompetentes chegarem perto dele.

E eu começo a pensar. Hum…Não é incomum os mais velhos referirem-se aos bons tempos do regime totalitário. Mas há aqui qualquer coisa…

-Quando tirei o curso, éramos muito menos mas muito mais capazes. Os comunistas queriam que ganhássemos todos o mesmo, mas atenção! Se eu ganho mais de reforma é porque mereci e estudei mais do que outras pessoas e mereço pelo que fiz na vida. Mas agora estamos rodeados de jovens a tirar o curso sem perceberem nada do que fazem cá.

E foi aqui que percebi a teoria da velha guarda de “Direita”: segundo estes filósofos, só os chamados predestinados teriam direito a uma educação de ensino superior, com as regalias todas que advêm de tal. Daí todas as reservas que frequentemente se impõem aos “velhos do Restelo” de Direita.

Felizmente que apareceu o autocarro. Senão era capaz de espetar uma pequena boca ao homem. Enfim, mas não entrei no autocarro sem um:

-Olhe é por estas e por outras que o nosso país não avança.

Ele não percebeu. Pensou que estaria a concordar com ele. Não se perde nada.

30 de janeiro de 2008

O Mete-Nojo

Hoje, dedico um curto espaço de tempo para vos falar dum tipo de personagem que habita a nossa sociedade: o tipo "Mete-Nojo", que alguns podem conhecer como "amigo da onça".

Genericamente, falamos do indivíduo que a preceito de qualquer insignificância não enjeita a oportunidade de implicitamente se engabarolar diante do melindre alheio.
Não se trata dum qualquer alarde, cuja vaidade não obsta a susceptibilidade dos demais, mas sim de alguem cujos níveis de bazófia envergonham qualquer momento onde José Cid se auto-proclame o Elton John da Chamusca.

Distingo, porém, duas categorias dentro desta classe: O Mete-nojo light e o Mete-nojo que-não-é-nada-light-pois-enjoa-que-se-farta.

O Mete-Nojo light é um tipo que, no fundo, só mete fastio. É portanto um mete-nojo desportivo, casual. Usa da sua soberba palerma quando lhe dá jeito, (em conversas de café, à porta das finanças, etc...) mas não leva o assunto a sério.
Depois temos os especiais, os Mete-nojo que-não-é-nada-light-pois-enjoa-que-se-farta. Falamos agora de cavalgaduras, para quem a arte de meter nojo é um modo de vida, uma espécie de missão espiritual individual. Estes quadrúpedes, programam a sua rotina para preconizarem, 'à Lagardère', a sua boa-acção diária de provocar náuseas.


Se a alardisse destes seres fosse mensurável, novos cursos de computação avançada seriam inventados. O próprio do SuperIrritante não é mais que um menino ao pé destes senhores.
Não se pense que esta verborreia resulta de contacto pessoal com algum elemento desta tribo. Não senhor.
Como nunca contactei com esta sub-espécie, não posso, de forma alguma, concluir que estes índices de jactância sejam proporcionais à densidade de pelugem de cada um.

24 de janeiro de 2008

introspecção...uma de muitas.


Sim, sou eu.. Não é preciso tanta admiração!

Nem tanto a ver com o facto de ser um meticuloso e não arranjasse motivos de post, mas devido ao factor aulas e ao factor tempo (relacionado, claro, com um exponencial terceiro factor - preguiça) realmente desleixei-me...

Escrevo agora para partilhar algo brilhante, genial? nem pensar.

Este post é um relato de um episodio veridico que me foi confidenciado. Passou-se há cerca de 3,4 anos. Não é de todo uma historia desconhecida para muitos , mas confesso que só aqui há atrasado é que tomei conhecimento disto. Incrível.

Normalmente há aquelas anedotas de aulas de medicina que envolvem alunos nerds e assim... Esta não tem a ver com nada que tenham ouvido falar até aqui. A não ser que conheçam a historia e a pessoa em questão.

Numa aula de uma cadeira qq de medicina (disseram-me qual mas eu não me lembro) estuda-se o aparelho reprodutivo masculino, mais propriamente a composição quimica do esperma.
A dada altura uma aluna pergunta ao professor catedrático:
-Professor, o esperma é então uma solução rica em açucares, glucose, etc., certo?
-Correcto.
-Então porque é que o sabor é amargo?

Ihhhhhhhhhhh!!

Uma piada recorrente.
Claro, risota geral na turma, e a aluna já nem sequer poderia sair à rua pois dizer uma coisa destas numa aula de medicina é demasiado mau.
O professor, sempre muito digno, deixa passar uns 5 min e o gozo lá diminuiu de intensidade.
E, virando-se para a ruborizada aluna, declara tão somente:

-Isso é porque as papilas gustativas estão situadas mais na extremidade da lingua e não tanto no fundo da garganta...


Tchhhhh...

15 de dezembro de 2007

Espírito natalício

Muitas vezes, paro e fico a olhar o que me rodeia, a absorver os detalhes, a questionar-me sobre certos aspectos da vida, ou simplesmente a observar as pessoas...

Existe alguém que "volta e meia" gosta de referir que sou um ser esquisito e talvez não seja grande mentira... Mas enfim, “ cada burro com as suas manias”.

Nesta época natalícia, esse tipo de observações tornam-se particularmente enriquecedoras.

Tudo transpira natal... as cores, os cheiros, os paladares...

A caminho da faculdade, o autocarro fica o que me parecem ser séculos parado no trânsito da rotunda do marquês. Olho em volta, e aproveito para apreciar a beleza do NATAL; as pessoas continuam a correr de um lado para o outro, esse facto não muda... mas trazem sacos nas mãos, com embrulhos coloridos, laços, presentes grandes e pequenos. Ilusão minha ou talvez não, as pessoas estão mais alegres. É inevitável, esta altura é dedicada àqueles que mais gostamos. Passamos mais tempo a pensar neles e temos necessidade de os presentear; de preparar coisas boas e bonitas para a ceia, para que os raros momentos em família que se vivem hoje em dia sejam mais perfeitos.

A montra do café tem uma mesa cheia de supostos embrulhos, há bolos-rei e enfeites. Na esquina, há o senhor que vende castanhas... cheira a elas... e estão quentes, contrastando com a temperatura que se verifica e que nos obriga a andar cheios de roupas. E para completar o quadro, no início da avenida da liberdade há uma escultura que diz AMOR em letras gigantes! À noite quando regresso, o meu lado infantil revela-se em força e tal como em criança continuo a ficar maravilhada com a imensidão de luzes, que invadem lisboa e tantas outras cidades.

Mesmo sabendo que as próximas semanas vão ser aterradoras, de estudo intensivo e preocupações acrescidas, não consigo deixar de me sentir extremamente calma e feliz e de reparar em tudo; nas luzes, nas músicas de natal e nos homenzinhos de barba com barriga de vinho que se vestem de pais natal e fazem as crianças sonhar, no senhor das castanhas que torna os dias gélidos mais confortáveis e de pensar no quão perfeita é esta época.

Talvez isto tudo seja apenas uma camuflagem das coisas más que assolam o mundo, mas o meu lado infantil e sonhador que se manifesta ainda mais nesta altura, permite-me acreditar que a cada ano que passa estas coisas bonitas se vão tornando mais reais e passíveis de apreciar por um maior número de pessoas. E que cada vez mais teremos todos, pelo menos, um natal mais quente e preenchido de afectos.

3 de outubro de 2007

Desgraça (?) no PSD

Compreende-se as dificuldades que um partido como o PSD tenha em fazer oposição ao governo menos socialista desde o 25 de Abril. Mas nada justifica a palhaçada que observámos durante a campanha e eleições directas para seu líder.

Com a eleição limitada a militantes pagantes, a única troca de ideias que se assistiu era sobre quem era menos sério ou quem é que andava a pagar as quotas dos sociais-democratas, comprando-lhe o voto.
Quantas voltas terá dado Sá Carneiro no seu túmulo nas últimas semanas? A história do partido não merecia tanta vulgaridade.

Nem está aqui em questão o vencedor; fosse qual fosse, não limparia a mácula que fica no seio do PSD. Sobre a mudança de líder, digo apenas que o populismo sucede à demagogia.



22 de setembro de 2007

A que futuro nos levará este presente?

Vou parecer uma velha a escrever sobre este assunto, mas tenho tido conversas, sobre isto,com os meus amigos, que na sua maioria têm escapado à onda de idiotice que se tem vindo a gerar e que me intriga e me faz uma certa confusão. Então resolvi escrever... Ou seja... no fundo, no fundo... parece-me que muita gente julga que a sua vida real se trata de uma versão dois dos “morangos com açucar”.

Tenho vindo a reparar na onda de futilidade em que a nossa geração tem vindo a entrar, na ausência de objectivos e de sonhos, que ultrapassem as roupas, telemóveis e marcas que querem mostrar aos amigos.

Não quero com isto afirmar que tenho aversão ao materialismo, enfim, na sociedade em que vivemos torna-se complicado não nos apegarmos a certos bens. Admito que também tenho as minhas futilidades, como todos nós, mas quer dizer, parece-me que há limites... é que tenho ouvido cada coisa, que parece irreal...

Pensei que a nossa geração seria a esperança para um futuro mais brilhante, para um mundo mais justo e harmonioso, mais igual e mentalmente mais desenvolvido... mas julgo que tenho estado estupidamente iludida...

Quando tenho vindo a ver que o cérebro da maioria da juventude não tem vindo a ter grande utilidade (e tendência a regredir!), quando percebo que para grande parte das pessoas não é importante o conhecimento, o saber, o avanço, a evolução e tudo o que não se resuma ao seu próprio umbigo, à roupa nova que têm para mostrar aos amigos e ao desespero em não irem de férias para uma ilha paradísiaca porque não têm cara para o admitir perante os amigos nem terão fotos para lhes mostrar (isto é veridíco). Quando vejo que o que tem valor é andarem a mostrar-se todos os dias com o novo penteado... podem ter chumbado cinco vezes no 6ºano, mas vergonhoso é não estar “in”, não ir de férias para a república dominicana ou ser inteligente e estudioso!... penso... em que mundo estaremos nós?

Num mundo que caminha para um abismo irremediável e que será dominado pela idiotice e pelas aparências... ou será que há esperança que este ainda se torne um mundo de meios termos, que não seja dominado por dogmas nem preconceitos, nem dominado pela “diarreia mental” (linda a expressão_lol) que tenho vindo a observar?

19 de setembro de 2007

Mas anda tudo maluco? Isto lembra a alguém??

Uma noticia que recolhi do site PortugalDiário:



Reformado quer devolver prémio da lotaria

Um homem reformado residente em Hameln, na baixa Saxónia, Alemanha, deslocou-se à entidade promotora da lotaria, em Hanover, para informar que não queria os 2.900.000 euros, escreve a Ananova.

«O que faria eu com tanto dinheiro? A minha esposa também está velha, os meus pais já faleceram, eu não tenho nenhuma criança e nenhum outro parente. Eu não quero o dinheiro», disse o reformado. O homem adiantou que só comprou a lotaria porque tem uma ex-mulher que gostava de jogar.

Os responsáveis pela «Lottery» estão ainda a tentar persuadir o homem a ficar com o dinheiro.

Vou tentar procurar aqui efectuar uma pequena divagação.


Isto é engraçado, não é? Dá Deus nozes...
Não consegui ler o título sem esboçar um sorriso... Se lerem o meu ultimo post chegam a uma conclusão: isto há gente que n dá assim grande valor ao dinheiro. E isto não é algo bom? Não é de saudar? Não, claro que não. É estúpido.

1-Se quisesse ficar bem visto, este casal aceitava o dinheiro e doava-o generosamente a varias instituições sociais, ou algo dentro desse género.

2- Se fossem espertos, aproveitavam e gastavam o dinheiro o mais possível enquanto o tivessem, ou enquanto vivessem, pois como não têm família, não têm nenhum tipo de responsabilidade familiar. Perfeito.

3- Resolveram recorrer a uma 3ª opção que é a de serem protagonistas desta noticia descabida e sujeitarem-se a que alguém que leia as notícias faça um post no seu blog a gozar com a situação, cheio de inveja. É o caso.

18 de setembro de 2007

Foi feito um estudo...


Quando oiço ou leio um começo de frase assim, fico sempre com um pé atrás...Vocês não? É que nunca se sabe o que vai sair dali... Uma grande percentagem dos "casos objecto de estudo" não interessam a ninguém...

O último estudo que vi foi o ponto alto:

Foi feito um estudo (fiquem de pé atrás), encomendado a alguma universidade ou assim (houve gente a ser paga e gente a pagar para isto, atenção!) cuja conclusão se reduz a isto:

Concluiu-se nesse estudo que as estrelas de rock têm uma esperança média de vida em geral inferior à de uma pessoa normal, uma vez que vivem vidas de excessos (tipo, metem-se nas drogas e assim).

Epá, fascinante...
Se quem encomendou o estudo não gosta de dinheiro, ou se estorva um bocado no bolso - parece ser o caso,- podia-mo ter dado a mim...

10 de setembro de 2007

Patriotismo


Muita gente estranha a minha aversão a Scolari, e me critica por não venerar a selecção nacional de futebol como a maioria do povão faz.
Para além do autoritarismo e do culto da ignorância e submissão cega, eis porque acho o Felipão um charlatão:
Ora procurem este sentimento quando o hino nacional tocar na quarta-feira.



Ignorem os primeiros 20 segundos.

9 de agosto de 2007

Imperfeito do verbo Gostar


Quando um filme deixa de ser apenas entretenimento ou arte. Penso nisto depois de falar com amigos sobre 'Leaving Las Vegas".

Gostava de fazer um filme assim...

Quando um filme nos mostra que o carácter de uma pessoa, vale pelas virtudes aparentemente simples, contudo raras.



26 de julho de 2007

Ambidestria...-Pancada?

No outro dia de manhã, no meu excitante inicio de férias, resolvi principiar uma actividade que já vinha a planear há algum tempo, recentemente reforçada pelo filme “ZODIAC” do Fincher (recomendo, apesar de ter adormecido duas vezes a meio do filme - é normal em mim):

-Começar a escrever com a mão esquerda, sendo destro.

Mas que mania súbita foi esta?
–Parece que é parvo…
- Parece?

Eu sempre fui canhoto a tudo menos a escrever (posteriormente tb a fazer barulho com a guitarra). Isto pode soar algo estúpido para alguns, mas é verdade. E explica-se facilmente, baseando-me em artigos científicos:

O período da infância até aos três anos caracteriza-se por uma fase de descoberta… bla bla bla…. Não interessa, o que importa aqui é o papel dos meus avós (um dos pontos em que mais admiro os meus avós e os idosos em geral prende-se com o facto de possuírem um vasto conhecimento científico estranhamente aprofundado em certas áreas - as que lhes dão jeito).


Dizia eu que os meus avós, ao verem o seu neto querido a escrever com uma mão “que-não-a-direita”, aconselharam-me "calmamente" a mudar de mão e tentar escrever com a outra, e atribuíram a isto uma designação qualquer…como é que era…ah, o chamado síndrome de…qualquer coisa deste género…obra do “demóino”.

De qualquer maneira no outro dia, veio o Sábados ter comigo a dizer que eu era atrofiado por causa disso. Aceitei, mas fui pesquisar, mas a pesquisa revelou-se inconclusiva para um ser humano da minha idade.

Isto é, se eu quiser aprender a escrever com a mão esquerda agora, parece que não é grave... é apenas "balsagodice".

Apenas descobri que não era aconselhável fazer isso na infância (tarde de mais) pois poderia tornar o individuo potencialmente… como era?... epah, estas designações dão cabo de mim..ah, “atrofiado”… Tarde de mais.

Para o pessoal que está com ideias, este post não se trata de nenhuma metáfora tipo “cotonete – ah e tal dá para os dois lados” (alusão à bissexualidade) – conhecimentos profundos estes, que são transmitidos num bar à noite… enfim, valem para toda a vida...ficará para uma próxima oportunidade..