







Neste branco e preto em que viajamos ao longo do filme, senti-me um pouco perdido. Não sei se quando Barry fugia dos rufias ou quando ia coleccionando iogurtes pelos cupões, o carácter estrambólico do que observava ia bloqueando o sub-texto que podia emergir do tal jogo de contrastes. Na fim o paranóico acabou por dominar sobre o cândido.

Fica porém uma cena no cardápio da memória, aquela onde participa Alfred Molina no papel de um insólito traficante de droga que, entre o som de 'Sister Christian' e os rastilhos que o seu chinês de estimação vai estoirando, hospeda uma insana e hilariante sequência de acontecimentos que assinalarão o 'turning-point' do argumento. É o talento demonstrado na condução e montagem desse momento que nos lembra que foi afinal P. T. Anderson quem esteve por detrás da câmara desde o inicio.

Entre a nossa solidão e a solidão de Sidney cria-se um pacto, nós não o deixamos de ver, ele não nos deixa de falar e enquanto o filme dura não nos sentimos sós.Escrevia aqui há uns tempos o Sábados, falando da sua, na altura recente, redescoberta da rádio.
Quando este recolhimento é rompido e de bicicleta alguém ousa sentir a chuva nas fuças, um ancião lhe lembra que talvez seja o homem errado no sitio errado, como aqueles sujeitos nos filmes do Hitchcock. Não temos o Bernard Herrmann mas o Alexandre Desplat (compositor do filme) faz-nos a gentileza de o lembrar também. Isto e outras coisas, num ritmo amadurecido e lapidado, ajudam o nosso escritor incógnito a nos levar consigo pela intriga internacional, onde outro fantasma se adensa numa subtileza de invejar (Tony Blair não fará deste filme um dos seus favoritos).Finding Forrester (2000), de Gus Van Sant
"Dear Jamal, Someone I once knew wrote that we walk away from our dreams afraid that we may fail or worse yet, afraid we may succeed." - William Forrester
Porque quando as emoções são muitas as palavras não chegam para descrever.
Foi perfeito, como aliás já o tinha sido em 2006.
Para reviver mais um pouquinho....jpg)